sexta-feira, 9 de maio de 2014

A MÃE DE DEUS E A DEVOÇÃO POPULAR



A MÃE DE DEUS E A DEVOÇÃO POPULAR



                                                                    Em que consiste a devoção à Virgem Maria? Muitos são os teólogos que tem tratado do tema da religiosidade popular depois dos anos 70[1]. Hoje se observa um despertar da religião ou da relação com o transcendente, testemunhando um retorno à religião ocultista, isto é, à meditação oriental, à procura de significado global do humanismo e a persistência da religião ou da piedade popular.
Mas queremos aqui tratar especificamente da fé na Virgem Maria, que deve  ser entendida à luz da encarnação do Verbo de Deus. Neste sentido, Jesus Cristo aparece como o fim último de toda devoção popular acerca dos merecimentos de Maria. A devoção à Mãe de Deus não pode esquecer que Jesus é o nosso salvador. Somente em Cristo reside a plenitude de toda divindade e graça. Ele é a cabeça da Igreja, da qual somos os seus membros e fora de Jesus não existe outro, seja no céu ou na terra, no qual encontramos a salvação.
Somente partindo da pessoa de Cristo é que podemos estabelecer um verdadeiro culto devocional à Maria, pois se esta devoção nos afastasse de Cristo, seria uma ilusão diabólica e totalmente falsa. O povo tem a devoção de guardar o rosário, o escapulário, a coroa e etc. Este símbolos devocionais, de fato, não são necessários para a salvação. Mas, resta a pergunta: Esses sinais, embora não necessários, impedem a salvação? Impedem a devoção à Cristo? Separam o povo do amor de Cristo? Ou manifestam confiança no sentimento de estima, respeito e consideração que os cristãos possuem para com a Mãe de Jesus e a partir do quais passa a glorificar e com maior empenho seguir, imitar e servir o Filho de Deus?
O povo devoto de Maria é totalmente convicto que somente Jesus merece toda glória e louvor, de maneira muito simples faz a distinção entre as graças que provêm de Cristo, os dons do Espírito Santo e os méritos da Virgem Imaculada. Sabe que ela voluntariamente se proclamou serva e escrava de Deus e que Jesus disse que um servo não é maior que o seu Senhor[2]. Que Maria é serva amorosa e colaborou de modo inaudito com a entrada de Cristo no mundo e que Maria participa por obra da graça divina no mistério da Salvação. Se de um lado Maria foi o veículo através do qual Nosso Senhor visitou o seu povo, por outro ela continua sendo o mesmo veículo que levará esse povo a Cristo. O povo cristão tem consciência que a devoção verdadeira à Maria é aquela que dedica maior gloria ao Senhor e mais colabora para sua santificação.
A verdadeira piedade popular supera uma devoção escrupulosa ou meramente externa. A primeira teme desonrar o Filho por homenagear a Mãe, abaixar um elevando outro, abre margens para uma fé insegura, não amadurecida, presa pelo medo de praticar alguma injustiça (o povo sabe que seria grande ofensa querer superar ou ao menos igualar a pessoa de Maria em relação ao Filho Jesus). Por isso, a mais perfeita jaculatória em honra de Maria é aquela extraída do evangelho de Lucas: “Bendita sois vós entre as mulheres e bendito é o fruto do vosso ventre[3]”). Uma fé escrupulosa corre o sério risco de colocar em ridículo a prática da religião, algo semelhante ao temor de São Paulo antes da conversão[4]. A segunda faz consistir toda sua devoção à Maria somente em práticas externas, sem conteúdo ou interioridade, não crê no que pratica porque ignora a fé.
A verdadeira piedade supera a devoção presunçosa, inconstante e hipócrita. Todas essas, totalmente desligadas da prática de justiça, da solidariedade e do bem social. A verdadeira piedade é tenra, interior, santa, constante e desinteressada[5]. Manifestada como sinal de esperança e anúncio profético, supera as manifestações periféricas e o intelectualismo, está para além do plano meramente racional e ao mesmo tempo o folclórico. Querer barrar a piedade popular em torno de Maria, seria o mesmo que paralisar mortalmente o espírito humano[6]. Segundo H. Cox Maria é viva no povo. “Ser um teólogo radical hoje deve querer dizer, ao menos, escutar o canto e o soluçar das religiões dos povos”.
Precisamos insistir numa catequese que eduque a comunidade cristã ao confronto permanente com a Palavra de Deus, que possa julgar as várias expressões do pensamento e a vida dos crentes conciliadas com as mensagens do Magistério da Igreja. A autêntica devoção mariana depende em grande parte da aceitação de tais direcionamentos que vêem e rendem o mais vivo e o maior sentido ao vínculo que nos une à Mãe de Cristo e nossa Mãe, na comunhão dos santos[7].
Alguns pontos importantes a serem observados com relação à piedade popular em torno de Maria na vida das comunidades:
1º Aceitar a piedade popular; reconhecida como legítima na Igreja, encarnada na história do catolicismo, patrimônio popular, junto com uma real obra de evangelização.
2º Priorizar a comunhão; uma atitude de respeito, que implique escuta do povo e que conduza à valorização das instruções da Igreja sobre Maria que porta uma adesão à verdade que parte da fé como pessoa viva, glorificada e dotada de bondade materna.
3º Favorecer o encontro entre: piedade popular e liturgia; recuperando o sentido da festa, da comunidade e da participação cordial.
4º Evangelizar a piedade Mariana do povo; de maneira que seja uma autêntica piedade, tirando toda tentação de fechamento e colocando Maria no lugar mesmo que lhe compete.
       5º Coligar a piedade Mariana ao mistério da páscoa e da vida; conservando a mesa da comunhão e da eucaristia, fonte e ápice de toda vida da Igreja.
       Um santo e feliz mês mariano a todos.


Pe. Júlio César Souza de Jesus.






[1] Cf.: Estefano De Fiores: Maria nella teologia contemporanea, Roma 1991 pág. 339
[2] Cf.: Mateus 10,24: “O discípulo não está acima do mestre, nem o servo acima do seu senhor.”
[3] Lucas 1, 42: “Com um grande grito exclamou: Bendita és tú entre as mulheres e bendito é o fruto de teu ventre.”
[4] Atos do apóstolos 22,3: “Eu sou judeu. Nasci em Tarso, da Cicília, mas criei-me nesta cidade, educado aos pés de Gamaliel na observância exata da lei de nossos pais, cheio de zelo por Deus, como vós todos no dia de hoje.”
[5] Trattato della vera devozione a Maria Vergine, Beato Luigi M. Montfort, Roma 1943
[6] Maria Madre della Redenzione, E. Schillebeeckx, Paulinas 1965 p. 149
[7] Cf.: Estefano De fiores: Maria nella Teologia Contemporanea, Roma 1991 p. 346          
                                                                                                                                                 

terça-feira, 6 de maio de 2014

EDITORIAL - PÁSCOA : DO JUDAÍSMO AO CRISTIANISMO



PÁSCOA
DO JUDAÍSMO AO CRISTIANISMO



  Páscoa é termo proveniente da palavra latina e grega pascha, tomada por sua vez do Hebraico pesah', do Aramaico pishâ', provavelmente pronunciada anteriormente phashâ', de onde proveio o grego pascha. Ela é a festa suprema dos cristãos e dos judeus. Para os judeus é a festa da libertação nacional, para os cristãos a festa da vitória do Senhor Jesus sobre a morte. A morte e a ressurreição de Jesus trouxeram a salvação para todos.  Temos assim uma sintonia entre o Antigo Testamento e o Novo Testamento, de modo que um prepara o outro. Isso manifesta que o Deus do Antigo Testamento é o Deus do Novo Testamento, o Deus escondido do Antigo Testamento é o Deus Revelado plenamente na pessoa de Jesus Cristo.
      No Antigo Testamento a Páscoa era originariamente uma festa de pastores que celebravam, na primavera, o nascimento das ovelhas. Nessa festa, os pastores derramavam sangue de cordeiros em torno do acampamento, a fim de espantar os espíritos que poderiam prejudicar a fecundidade do rebanho.
      Quando saiu do Egito, Israel adaptou a festa às condições de um povo sedentário. Ela se tornou a celebração do Êxodo, traduzida em forma de refeição. Mais tarde, foi associada à festa dos Ázimos, porém só começou a ser celebrada em Israel quando este tomou posse da terra prometida.
      No Novo Testamento, diversos acontecimentos da vida de Jesus e de seus discípulos estão ligados à festa da páscoa. Dentre estes podemos citar: Jesus, ainda menino aos doze anos, dirigindo-se em peregrinação à Jerusalém, por ocasião de uma festa da páscoa (Lucas 2,41-50). Outro acontecimento foi a festa de casamento em Caná da Galiléia, ou então, Jesus que vai à Jerusalém para uma festa da páscoa onde expulsa os negociantes do Templo (João 2,14-23). Vemos também que os Evangelhos de Mateus, Marcos e Lucas descrevem a última ceia de Jesus com seus discípulos como a refeição pascal ritual (Marcos 14,12-16; Lucas 22,15).
      A Páscoa é para os cristãos a esperança da ressurreição dos mortos e com ela a vida feliz em Deus. Isso é justificado porque Jesus Cristo ressuscitou primeiro para esta nova vida. Caso isso não tivesse sucedido, também não haveria ressurreição para os cristãos; não haveria também para os cristãos a festa da páscoa.
      Para os cristãos, viver e celebrar a páscoa é mais do que simplesmente uma festa simbólica, é dar testemunho de vida, anunciar e praticar o que Jesus ensinou e fez, continuar, de maneira anamnética, (quer dizer, fazer memória das ações de Cristo, o que não significa uma mera lembrança ou recordação e sim uma atualização das ações mesmas de Jesus), também de maneira profética (isto é, ser testemunhas do Reino de Deus, denunciando as injustiças e anunciando a vitória do amor sobre as formas de pecado e de morte), fazendo com que a doxologia cristã (ou seja, o louvor exuberante que sai da nossa boca e nos faz cantar as maravilhas do Senhor) e, expressão prognóstica, isto é, (escatológica, uma herança nova, onde na terra, as relações sociais baseadas no respeito, na justiça, no amor, na fraternidade, na solidariedade e na partilha possam prefigurar o Reino futuro).


Pe. Júlio César Souza de Jesus.



















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sexta-feira, 18 de abril de 2014

SEMANA SANTA



SEMANA SANTA


DOMINGO DE RAMOS

Aconteceu nesta manhã de Domingo, 13 de Abril de 2014, a tradicional Procissão de Ramos da Paróquia Menino Jesus de Praga (vide fotos) que contou com um grande número de Paroquianos. Foi iniciada às 6 h 20 min na Comunidade Santa Luzia, e terminou com a Santa Missa na Igreja Matriz.
Padre Júlio César e o Diácono Artur, conduziram toda a cerimônia religiosa e, logo após a bênção dos ramos, deu-se início a procissão. No trajeto muitos paroquianos foram sendo adicionados aos que já vinham na caminhada de tal forma que, o número cresceu consideravelmente.


Foto: Paulo Raimundo - Pascom
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PROCISSÃO DO FOGARÉU


Aconteceu nesta Quinta – Feira Santa, 17.04.2014, na Paróquia Menino Jesus de Praga, a conhecida Procissão do Fogaréu, em outras palavras, a prisão de Jesus Cristo. “Judas arrumou uma tropa e alguns guardas dos chefes dos sacerdotes e fariseus e chegou ao jardim com lanternas, tochas e armas” (Jo 18, 3).

Um beijo traiçoeiro na face de Jesus Cristo marcou a traição de Judas. “Então a tropa, o comandante e os guardas das autoridades dos judeus prenderam e amarraram Jesus” (Jo 18, 12). Era o começo de algumas horas de intenso sofrimento. Julgado por pessoas que não tinham condições nenhuma de proceder tal julgamento



Foto: Paulo Raimundo - Pascom 

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Foto: Paulo Raimundo - Pascom 



SANTA MISSA DA CEIA DO SENHOR




Com a chegada da procissão do Fogaréu à Igreja Matriz, deu-se início a Santa Missa da Ceia do Senhor. Após a homília foi realizada a cerimônia do Lava-Pés. “Colocou água na bacia e começou a lavar os pés dos discípulos, enxugando com a toalha que tinha na cintura” ( Jo 13, 5 ).
Ao término da Santa Missa, começou a Adoração ao Santíssimo Sacramento. “... Fiquem aqui e vigiem comigo.”  ( Mt 26. 38 ). Convém lembrar que, foi nesse dia, que Jesus Cristo instituiu a EUCARISTIA como nosso alimento.





Foto: Paulo Raimundo - Pascom 

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SEXTA – FEIRA SANTA



Na Sexta – Feira Santa, a adoração ao Santíssimo Sacramento continuou até  às 15 h. Neste horário, começou a celebração da Paixão do Senhor que apresentou no 1º , 2º e 3º momentos, respectivamente, a Liturgia da Palavra, a Adoração de Cristo na Cruz e o Rito da Comunhão.



Foto: Paulo Raimundo - Pascom 

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SÁBADO SANTO - VIGÍLIA PASCAL


Vigília Pascal teve seu início às 19 h com a Bênção do Fogo e em seguida, a Procissão do Círio Pascal e a Proclamação da Páscoa completando assim, o primeiro momento da Celebração da Luz.
No segundo, terceiro e quarto momentos, tivemos respectivamente: a Liturgia da Palavra, a Liturgia Batismal e a Liturgia Eucarística.


Foto: Paulo Raimundo - Pascom

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Foto: Paulo Raimundo - Pascom

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Paulo Raimundo
Coordenador da Pastoral da Comunicação - Pascom
Uma Pastoral Missionária a Serviço da Evangelização