quinta-feira, 26 de março de 2015

EDITORIAL




Pe. Júlio César
Ó morte, onde está a sua vitória? (1 Cor 15, 55)


Ao refletimos sobre a relação que existe entre tempo e eternidade encontramos em Cristo  a resposta definitiva para o enigma da morte. Ao interno da vida humana a morte é sempre uma aporia de dimensão notável, extremo limite e clareza do mistério. O morrer aparece ao homem como a mais familiar e óbvia realidade e, ao mesmo tempo, a menos impensável.

O morrer humano exalta o enigma de sua existência. O homem, abandonado às suas próprias forças, não encontra em si a origem do seu fundamento, mas apenas a certeza que a morte expressa de modo claro e definitivo a sua finitude, impedindo um equilíbrio entre absoluto e existência relativa1 , de forma que ao viver o homem está à procurar um significado para a morte.

Hans Urs Von Balthasar ao refletir sobre a morte em sua obra Teodramática, disse certa vez que “Morrer é parte iniludível do ponto de vista biológico, mas manifesta o destino inexorável e pleno do sentido da existência humana”.

O momento conclusivo do tempo tem em si esse duplo caráter: De um lado é a coisa mais humilhante para o homem, uma vez que abate e torna putrefato o corpo humano, mas por outro lado é a realidade mais nobre e mais preciosa quando assumida com empenho, visto que é o momento conclusivo da existência2 .

A morte pode parecer inimiga da vida, mas está relacionada com o amor3 . O Amor pode chegar a uma força tal que o faça rival da morte. No entanto, devemos pensar que um mundo abandonado pelo amor está mergulhado ao poder da morte, mas onde o amor perdura a morte é definitivamente vencida4 . Ora, sendo Jesus a plenitude do amor, então não pode existir resposta mais positiva para a compreensão do significado da morte que não seja vivendo a partir de Cristo. Vencendo a morte, Cristo garantiu para nós a vida e abriu-nos as portas do céu.



BIBLIOGRAFIA

1 Cf.: Marini. V, Maria e il mestero di Cristo nella teologia de hans Urs von Balthasar, Pontifícia Academia Mariana Internationalis,, Cittá del Vaticano 2005. Pág 369
2 Cf.: Hans Urs Von Balthasar, Teodramática, Vol  I: Introduzione al Drama / Traduzione di Guido Sommavilla. Jaca Book, Milano 1978 pág. 360-361
3 Cf.: Cânticos  dos Cânticos 8,6: “O Amor é forte, é como a  morte. É chama de fogo, uma faísca  de Javé”.

4 Cf.:   Hans Urs Von Balthasar, Teodramática, Vol. I: Introduzine al Drama / Traduzionedi Guido Sommavilla. Jaca Book, Milano 1978 pág. 378.




Padre Júlio César



Pastoral da Comunicação - Pascom
Uma Pastoral Missionária a Serviço da Evangelização