sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

EDITORIAL - O MISTÉRIO DO TEMPO





Foto: Paulo Raimundo - Pascom
O tempo, enquanto dimensão convencional é medida pelo homem em anos, meses e horas. O tempo em si não possui nenhum sentido peculiar  e também não possui uma densidade teológica. No entanto, ele é sempre apropriado ao homem que o torna carregado de significado para a existência humana, por exemplo, a data do aniversário ou outras datas tornadas significativas para a sua existência.
O tempo torna-se um mistério, isto é, possibilidades de graças. É justamente o que faz a Igreja com o ciclo litúrgico anula. Cada festa litúrgica, bem como cada ano novo litúrgico traz consigo uma novidade de dispensação de graças da parte de Deus. Enriquecemos o tempo com as celebrações dos mistérios de Jesus, fazemos do tempo um encontro com Deus e observamos ao longo do ano a ação  salvífica  realizada na história. Desta forma o tempo litúrgico transforma e dá sentido ao tempo convencional.
Tempo, etimologicamente tem tem raiz grega. Era explicado pela mitologia  na qual existia um deus que devorava  seus  filhos  logo que nasciam. Os que nasciam estavam submetidos à fúria de Cronos. Enquanto civilmente comemoramos fatos passados ( que aconteceram uma vez e não acontecem  mais), no ano litúrgico além da comemoração, vivemos na atualidade, no dia-a-dia de nossas vidas. A memória do fato se torna atual na vida do crente.
Todo o tempo litúrgico é tempo de salvação. O advento convida a contemplarmos o sentido cristão da história. Insere-nos no mistério da obra salvífica de Cristo e, ao mesmo tempo, faz-nos contemplar a importância do empenho ético do cristão no mundo. Nós cristão precisamos cada vez mais compreender o momento histórico que estamos vivendo. Essa compreensão nos porta verso o futuro e torna-nos responsáveis por ele.  Essa responsabilidade tem como base a fé que nos impulsiona afirmar a possibilidade de criar um mundo novo, uma sociedade mais justa, pacífica, na qual os homens transformarão os instrumentos de guerra em mecanismos de paz.
Nós cristãos somos convidados a compreender que fomos colocados num monte muito acima de todos os outros montes. Como disse Jesus: “Vós sois s luz do mundo, não pode permanecer escondida uma cidade construída sobre um monte” (Mateus 5,14). Nós Igreja somos a luz dos povos, o sinal e o instrumento de salvação para toda a humanidade e por isso tempos uma terrível responsabilidade em relação ao futuro da humanidade.
O tempo do advento que agora celebramos, exorte-nos a uma atitude de vigilância. Cristo virá! Improvisamente nos surpreenderá no pleno exercício de nossas atividades e ai de nós se não estivermos preparados (Mateus 24, 40-41). A vigilância não é somente estar atentos. Significa colocar em prática a Palavra de Deus. Vigilância é atitude prática de caridade movida por um sentimento de afetividade. Vigiar é operar  o bem e fazer bem cada momento de nossa vida. É libertar-nos  do medo da morte, é tranquilizar a alma, é fidelidade ao evangelho.
O advento nos garante: “O Senhor virá”! Não caminhemos por uma estrada tortuosa e esburacada, nem tomemos um caminho que não conduz a lugar nenhum. Não entremos em becos sem saídas para  cairmos nas armadilhas e emboscadas do pecado. Lancemos fora as obras das trevas, vistamos a roupa da justiça que é o próprio Jesus.



Pe. Júlio César Souza de Jesus




Pastoral da Comunicação - Pascom
Uma Pastoral Missionária a Serviço da Evangelização