PÁSCOA
DO
JUDAÍSMO AO CRISTIANISMO
Páscoa é termo proveniente da
palavra latina e grega pascha, tomada
por sua vez do Hebraico pesah', do
Aramaico pishâ', provavelmente
pronunciada anteriormente phashâ', de
onde proveio o grego pascha. Ela é a
festa suprema dos cristãos e dos judeus. Para os judeus é a festa da libertação
nacional, para os cristãos a festa da vitória do Senhor Jesus sobre a morte. A
morte e a ressurreição de Jesus trouxeram a salvação para todos. Temos assim uma sintonia entre o Antigo
Testamento e o Novo Testamento, de modo que um prepara o outro. Isso manifesta
que o Deus do Antigo Testamento é o Deus do Novo Testamento, o Deus escondido
do Antigo Testamento é o Deus Revelado plenamente na pessoa de Jesus Cristo.
No
Antigo Testamento a Páscoa era originariamente uma festa de pastores que
celebravam, na primavera, o nascimento das ovelhas. Nessa festa, os pastores
derramavam sangue de cordeiros em torno do acampamento, a fim de espantar os
espíritos que poderiam prejudicar a fecundidade do rebanho.
Quando
saiu do Egito, Israel adaptou a festa às condições de um povo sedentário. Ela
se tornou a celebração do Êxodo, traduzida em forma de refeição. Mais tarde, foi
associada à festa dos Ázimos, porém só começou a ser celebrada em Israel quando
este tomou posse da terra prometida.
No
Novo Testamento, diversos acontecimentos da vida de Jesus e de seus discípulos
estão ligados à festa da páscoa. Dentre estes podemos citar: Jesus, ainda
menino aos doze anos, dirigindo-se em peregrinação à Jerusalém, por ocasião de
uma festa da páscoa (Lucas 2,41-50). Outro acontecimento foi a festa de
casamento em Caná da Galiléia, ou então, Jesus que vai à Jerusalém para uma
festa da páscoa onde expulsa os negociantes do Templo (João 2,14-23). Vemos também
que os Evangelhos de Mateus, Marcos e Lucas descrevem a última ceia de Jesus
com seus discípulos como a refeição pascal ritual (Marcos 14,12-16; Lucas
22,15).
A
Páscoa é para os cristãos a esperança da ressurreição dos mortos e com ela a
vida feliz em Deus. Isso é justificado porque Jesus Cristo ressuscitou primeiro
para esta nova vida. Caso isso não tivesse sucedido, também não haveria
ressurreição para os cristãos; não haveria também para os cristãos a festa da
páscoa.
Para
os cristãos, viver e celebrar a páscoa é mais do que simplesmente uma festa
simbólica, é dar testemunho de vida, anunciar e praticar o que Jesus ensinou e fez,
continuar, de maneira anamnética, (quer dizer, fazer memória das ações de
Cristo, o que não significa uma mera lembrança ou recordação e sim uma
atualização das ações mesmas de Jesus), também de maneira profética (isto é,
ser testemunhas do Reino de Deus, denunciando as injustiças e anunciando a
vitória do amor sobre as formas de pecado e de morte), fazendo com que a doxologia
cristã (ou seja, o louvor exuberante que sai da nossa boca e nos faz cantar as
maravilhas do Senhor) e, expressão prognóstica, isto é, (escatológica, uma
herança nova, onde na terra, as relações sociais baseadas no respeito, na
justiça, no amor, na fraternidade, na solidariedade e na partilha possam
prefigurar o Reino futuro).
Pe. Júlio César Souza de Jesus.
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