domingo, 7 de agosto de 2016

ORDEM CARMELITANA SECULAR



O SEGUIMENTO DE JESUS: ENTREGA E TESTEMUNHO


Por: Padre Júlio César Souza de Jesus


A essência da vida cristã é o deserto.  Esta expressão hoje ajuda a entender aquela entrega radical a Jesus Cristo, para isso, o cristão é chamado a viver o primado absoluto, isto é, a fidelidade à aliança batismal de forma radical, assumir uma vida de consagração a Deus, ao próximo e de serviço à humanidade.
Há vários sentidos na palavra consagração:

             01.                      Consagração significa tornar algo sagrado.


No caso da vida cristã significa tudo o que somos, fazemos e possuímos pertence a deus em doação livre e alegre. Significa todo nosso ser dirigido para a glória de Deus, como uma resposta concreta de amor a Deus. É algo passado, presente e futuro. Quando um cristão perde a alegria de seu batismo, passa a viver apenas para si, começa a buscar a própria glória, tudo em sua vida começa a ser desilusão, frustração e tristeza. Por isso um grande perigo da vida cristão é o egoísmo e este, acompanhado pela pós-modernidade, tem tentado entrar em nossas Igrejas


Foto: Paulo Raimundo - Pascom

Foto: Paulo Raimundo - Pascom
          02.                               Dedicar algo somente para Deus

A própria Igreja consagra certas coisas e objetos. Um altar consagrado já não é mais uma simples mesa, desta forma ele só poderá ser usado para funções litúrgicas. O mesmo se dá com um cálice, depois de sua consagração este cálice, está dedicado somente a Deus e a seu culto. Ele sai de sua essência mundana para entrar no mundo sagrado, já não é mais um simples copo, mas pertence a Deus.
Mais do que coisa e lugares, a Igreja consagra pessoas. É o caso da profissão religiosa, a pessoa consagrada deixa, por sua livre opção, o mundo secular e entra no mundo sagrado. A pessoa consagrada pertence agora totalmente a Deus e é dedicada somente para  o culto e a adoração de Deus. Agora o seu ser é consagrado, viver somente para Deus, num ato de liturgia, tudo é dirigido a Deus em culto e adoração.


03.                        Oferecer algo em sacrifício


A vivência da consagração é considerada um martírio lento. Comparada ao holocausto do Antigo Testamento. Num holocausto um animal sacrificado era colocado no altar e totalmente e totalmente destruído pelo fogo. Pela consagração religiosa, a religiosa agora se coloca livremente no altar e se oferece a Deus em culto e adoração. Entra num processo lento e doloroso de morrer para si para se oferecer totalmente a Deus. Sabemos que apesar do desejo de viver totalmente para Deus ainda há uma história de fragilidade humana que a consagrada carrega, ainda existem tendências pecaminosas, bloqueios, complexos, problemas não resolvidos que, no fim não deixam a consagrada assumir total e radicalmente seu ser de consagrada. Se o martírio é um processo lento e doloroso, não podemos esquecer que ele é também libertador.

Foto: Paulo Raimundo - Pascom 




                    04. A consagração dos leigos


É consequência do desejo livre de viver o primado do absoluto. Tal compromisso é por toda a vida. É assumir este processo até o “caixão” e, de fato, depois da morte, porque essa identidade continuará no céu por toda eternidade (Ap 14, 2-5). Esse conceito de permanência até a morte é difícil de ser entendido numa cultura pós-moderna, devido a experiência do supérfluo, do mutável, da substituição do eterno pelo temporal, do duradouro pelo passageiro, do divino pelo humano. Quantas pessoas querem dedicar-se eternamente a Deus, mas no seio da própria família consanguínea fizeram a experiência do divórcio entre seus pais, ou de padres e religiosas que deixaram o ministério. Por isso paira na cabeça de muitas pessoas a pergunta: È mesmo para toda vida a consagração? Se muitos abandonaram a vida consagrada porque também eu não poderia abandonar?

Foto: Paulo Raimundo - Pascom
    
                         05. Conversão


A resposta é simples: Tudo na vida cristã exige conversão. Mas uma conversão que seja efetiva e toque na própria vida da pessoa. Uma conversão que seja sadia e evangélica, que tenha a pessoa de Jesus Cristo como o centro. Uma conversão que deixe espaço para o Espírito Santo, para que Ele possa indicar as áreas necessárias de conversão, para que o cristão possa viver na plena liberdade o projeto de doar-se radicalmente ao amor a Deus e ao próximo. Precisamos dar espaço para o Espírito Santo, a fim de que ele possa nos curar, sarar e libertar. Dar espaço ao Espírito Santo é também uma questão de honestidade, de viver autenticamente a consagração. No vosso caso especial viver autenticamente tanto a vocação matrimonial, na consagração do mesmo Deus numa relação mútua de amor e o diaconato nesta entrega serviçal à Igreja.




Para refletir


 01. Estão claros para nós os pontos centrais da consagração que                 fizemos?

                  02. Quais motivações possuímos para a vivência desta consagração?


Ler na Bíblia: Apocalipse 14, 2-5



Pastoral da Comunicação – Pascom

Uma Pastoral Missionária a Serviço da Evangelização