segunda-feira, 16 de setembro de 2013

EDITORIAL - A FAMÍLIA


A FAMÍLIA


Foto: Paulo Raimundo
Apesar da Semana da Família já ter ocorrido, insistimos em falar da família, por causa da sua importância. “Família” é uma palavra derivada de “fâmulo” que quer dizer serviçal, empregado, alguém que está para servir. É revelador que assim seja, já que sabemos que dentre os sacramentos da Igreja, dois são considerados sacramentos do serviço: o da ordem e o do matrimônio.
Estes dois Sacramentos, classificados como do serviço, realmente realizam aquilo pelo que foram assim classificados. Ninguém se casa para ser servido, mas para servir e ninguém é ordenado para servir à própria família ou a si mesmo, mas para servir à Igreja. Ordem e matrimônio são realmente os sacramentos do serviço.
No matrimônio, homem e mulher servem um a outro, prestando-se mutuamente um serviço de amor, de companhia, de complemento, já que somos incompletos. Este serviço é fecundo, mesmo quando homem e mulher não geram filhos, o amor os regenera, isto é, os gera de novo, pelo que tanto um quanto o outro passam  a ser novas pessoas. Contudo, acontece geralmente que homem e mulher, unidos em matrimônio, geram filhos e o amor os obriga a servi-los para que se desenvolvam e sejam capazes de viver independentes. Mas aí novamente se encontra o serviço: Os pais servem aos filhos. Os irmãos e irmãs servem uns aos outros e, quando os pais envelhecem, os filhos devem retribuir o serviço que dos pais  receberam cuidando deles até a morte. Faz parte do “honrar pai e mãe”.
Por causa do afeto, dos laços de amor que entrelaçam  os membros da mesma família, o serviço, prestado dentro da família é gratificante e, mesmo quando pesado, é consolador.
Só os egoístas e os “ilhados” se queixam dos trabalhos que têm com seus familiares. Os egoístas se queixam geralmente dos familiares, porque não conhecem a lei do amor cristão que se traduz na Palavra do Mestre: “ama o teu próximo como a ti mesmo”, isto é, se você ama  com cinco quilos de amor ( se você pudesse pesar o amor! ), deveria amar o outro  com cinco quilos de amor também. Os “ilhados” também se queixam  dos familiares e chegam até  a dizer “parente é serpente” , porque se destacam do grupo, se sentem melhores que os outros e não aprenderam a partilhar o que têm de bom com os outros para elevá-los e promovê-los.
O Papa João Paulo II dizia que o futuro da humanidade passa pela família. É  preciso valorizar esta instituição, caso contrário a frustração tomará conta de todos nós. Hoje, pelo que já estamos vendo, podemos calcular o futuro do mundo com famílias desestruturadas. A auto realização e a plenitude  humanas, sem uma família fortalecida, são ideais inatingíveis.
Comece em sua casa uma tomada de consciência do valor da família e procure viver o serviço e terá a certeza de estar realizando aquilo que Cristo Jesus também realizou: “Não vim para ser servido, mas para servir”.


Pe. José Deusdará