EDITORIAL
O CRIME NÃO COMPENSA
Por: Pe. Júlio César Souza de Jesus - Pároco
16.11.2016
![]() |
| Pe. Júlio César Souza de Jesus - Pároco Foto: Paulo Raimundo - Pascom |
A
Mensagem evangélica fundamental para a pessoa humana passa pelo discurso da
igualdade qualquer que seja sua nação, sua raça, sexo ou religião. Defende a
liberdade de expressão, de associação, de participação, independência da
sociedade civil e da sociedade religiosa. O bem comum da sociedade, diz o Papa
João Paulo II, será sempre o novo nome da justiça, não pode ser obtido pela
violência, pois a violência destrói o que pretende criar, seja quando procura
manter os privilégios de alguns, seja quando tenta impor as transformações
necessárias. As modificações exigidas pela ordem social justa devem ser
realizadas por uma ação constante, gradual e progressiva, mas sempre eficaz no
caminho de reformas pacíficas.
Entre as formas inaceitáveis de violência, o papa denuncia
explicitamente a luta de classes. Tal luta não é caminho que leve à ordem
social, porque ela traz o desfavorecimento dos pobres criando novas situações
de injustiça. O ódio não constrói.
Não podemos ser solidários com sistemas e estruturas que encobrem
e favorecem graves e opressoras desigualdades. Nem o ódio, nem a violência são
forças oriundas da caridade. Entre os caminhos da justiça não podemos acolher
aquele da rebelião sistemática, nem muito menos aquele que leva ao derramamento
de sangue e à anarquia. Nossa responsabilidade cristã é promover, de todos os
modos, os meios não violentos para restabelecer a justiça nas relações sociais
e econômicas.
Pensando em termos familiares podemos dizer que todo ato ou
omissão praticado por pais, parentes ou responsáveis contra crianças e
adolescentes que, sendo capaz de causar à vítima dor ou dano de natureza
física, sexual e/ou psicológica, implica, de um lado, uma transgressão de poder
é um ato violento. A fragilidade de políticas públicas na área social é fator
crucial para a existência e persistência da violência, são muitos os que
associam violência e pobreza econômica, mas também é verdade que a violência
ocorre também em todas as classes sociais, embora não podemos fechar os olhos
para perceber que infelizmente a desigualdade social ao lado do descaso
político tem contribuído enormemente para o aumento da violência.
Justamente por serem os pobres aqueles que têm menos
condições econômicas de oferecer aos filhos uma educação de qualidade e
formação humana que considere todos os aspectos da existência, é que se
encontram mais vulneráveis a sofrerem os horrores provocados pela violência.
Chama-nos também atenção o aumento significativo de violência provocada por
jovens e adolescentes principalmente em faixa etária escolar que vai dos sete
aos vinte e um anos de idade, muitos ainda nem amadureceram, outros tem sua
infância perdida ou roubada.
Muitas são as sequelas deixadas pela violência: Medo,
insegurança, mudanças bruscas de comportamento, alteração no humor, choro sem
causa aparente, baixo nível de auto-estima, tristeza, abatimento, depressão,
ansiedade, tensão, comportamento agressivo, raivoso, transtornos e até
deformação de personalidade. Precisamos formar uma sociedade de paz e dar um
basta na violência, isso começa na família.
Desenho Ilustrativo: Helder Morais
Pastoral da Comunicação - Pascom
Uma Pastoral Missionária a Serviço da Evangelização


Nenhum comentário:
Postar um comentário