O ESPIRITO SANTO EXPRESSÃO DA CARIDADE DIVINA
Estimados irmãos e irmãs, aproxima-se a grande festa de pentecostes. Quero
com esse artigo, refletir as maravilhas do amor que brota do Espírito Santo de
Deus. Tomarei por base Santo Agostinho, que em seu maravilhoso livro “A
Trindade”, nos presenteia o conhecimento do maravilhoso Dom de Deus manifestado
no Espírito Santo. Diz o hiponense:
Assim como
designamos o Verbo único de Deus com o nome próprio de sabedoria, embora o Pai
e o Espírito Santo sejam também sabedoria em sentido genérico; assim também no
sentido apropriativo, aplicamos o termo caridade ao Espírito Santo, ainda que
em sentido geral, o Pai e o Filho sejam também caridade[1].
Giuseppe Ferraro em seu
livro O Espírito Santo no A Trindade de
Santo Agostinho afirma que Santo Agostinho fala do Espírito Santo como
caridade. Tal apelativo ao interno da Trindade faz referência às relações
interpessoais divinas. Santo Agostinho considera o Espírito Santo aquele que
suscita nos homens a caridade para com Deus e para com o próximo[2],
ao referir-se à caridade fala de toda a Trindade, pois para o bispo de Hipona a
Trindade inteira é imagem da caridade que, tanto mais íntimo de nós se torna à
medida de que em nós é mais presente. Mais conhecido porque mais seguro e que
abraçando a Deus que é amor abraçamos o próprio amor[3].
É o amor que une todos
os anjos bons e todos os servos de Deus pelo vínculo da santidade, que nos une
entre nós e a eles reciprocamente, e ainda nos submete a Deus. Quanto mais
livres do cancro do orgulho, tantos mais cheios estaremos do amor. Para o
hiponense somente Deus está plenamente cheio do amor. E o Papa Bento XVI em sua
primeira encíclica: Deus Caritas Est
ao comentar o texto de Santo Agostinho fala do prelúdio do dom que é o Espírito
Santo. Uma potência interior que harmoniza todos os corações ao coração de
Cristo, movendo-os a amar os irmãos da mesma maneira como Jesus amou, seja
fazendo-se servo durante a última ceia, seja morrendo na cruz e dando sua vida
para a salvação de todos[4].
O Papa, falando propriamente do Espírito Santo, manifesta-se muito agostiniano.
Para ele, é difícil separar o dom do Espírito do dom da caridade.
Morrendo
sobre a cruz Jesus – como se refere o evangelista “envia o Espírito” (Jo
19,30). Prelúdio daquele dom do Espírito Santo que ele realizou depois de sua
ressurreição (Jo 20,22). Atua a promessa do “rio de água viva” que graças à
efusão do Espírito foi infuso no coração dos crentes (Jo 7,38-39). O Espírito,
de fato, é aquela potência interior que harmoniza todos os corações com o
coração de Cristo e os movimenta ao amor dos irmãos como Cristo amou, quando se
curvou para lavar os pés dos discípulos (Jo 13,1-13) e sobretudo quando doou
sua vida por todos (Jo 13,1; 15,13). O Espírito Santo é também força que
transforma o coração da comunidade eclesial, a fim que seja no mundo testemunho
do amor do Pai, que quer fazer da humanidade, no seu Filho, uma única família[5].
O Espírito Santo
subsiste na mesma unidade e na mesma igualdade de substância. É Ele que torna
acessível o amor divino à humanidade, aos indivíduos humanos concretamente.
Através de uma ação de Cristo de uma parte e do Espírito Santo de outra, todo
ser humano pode participar do amor de Deus[6].
A caridade,
portanto, que vem de Deus é Deus, é propriamente o Espírito Santo, pelo qual é
difundido em nossos corações o amor de Deus, mediante o qual, toda a Trindade
habita em nós. Por essa razão, o Espírito Santo, sendo Deus, é chamado também,
com muita razão, dom de Deus (At 8,20). E o que será esse dom, senão a Caridade
que nos conduz a Deus e sem a qual, qualquer outro dom de Deus não nos leva a
Deus[7]?
Santo Agostinho atribui
a palavra dom ao Espírito Santo devido sua convicção que o Espírito Santo é
Amor e, de fato, são muitos os dons concedidos pelo Espírito Santo, mas aqueles
de nada adiantariam se não tivéssemos a caridade. É o Espírito Santo que
capacita toda pessoa humana a desenvolver os dons que Ele mesmo concede e isso
o faz para levar a pessoa humana ao conhecimento de Deus.
Pe. Júlio César Sousa de Jesus
[6]
W. Tarpley, “Sulla Trinità”
fondamentada della civiltà occidentale. In V conferenza internazionale
dell’Istituto Schiller – Roma, 1-3 novembre 1985. Sant’Agostino Padre della
civiltà europea ed africana. 204
Pastoral da Comunicação - Pascom
Uma Pastoral Missionária a Serviço da Evangelização

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