domingo, 9 de março de 2014

A MISERICÓRDIA DE DEUS



EDITORIAL

A MISERICÓRDIA DE DEUS


Foto: Paulo Raimundo
Amados irmãos e irmãs!

Chegou o tempo da quaresma. A Boa Nova não significa somente o novo que chegou, mas também: o perdão chegou aos pecadores.
Tomemos por base o Evangelho de Lucas 15,2: "Os Fariseus e Doutores da Lei criticavam a Jesus, dizendo: 'Este homem acolhe os pecadores e faz refeição com eles! '”.
  Aqui vemos o murmúrio dos fariseus que se escandalizavam pelo fato de Jesus acolher os pecadores e fazer refeição com eles. Eles não são capazes de aceitar que o Amor de Deus é o fundamento da atitude de Jesus diante dos homens. Eles se consideram justos e cheios de méritos e, por isso, não podem aceitar a solidariedade de Jesus para com os pecadores.
  Quaresma é tempo de buscar a reconciliação com Deus e com os irmãos. É momento penitencial, propício para se viver a fraternidade, de participarmos dos encontros quaresmais nas famílias de nossa paróquia, de vivenciarmos os mistérios de nossa salvação rememorados na via-sacra, buscarmos o sacramento da confissão, praticarmos a caridade para com os pobres, vivermos o jejum como forma de solidariedade com aqueles que passam fome, intensificarmos nossa vida de oração com uma participação ativa nas missas em nossa paróquia e nas orações pessoais dentro de nossas casas. Vivamos este momento penitencial como um convite de Deus à paz interior.
  Reflitamos o texto de Lucas 7,36-50: 36"Certo fariseu convidou Jesus para uma refeição em casa. Jesus entrou na casa do fariseu, e se pôs à mesa. 37Apareceu então certa mulher, conhecida na cidade como pecadora. Ela, sabendo que Jesus estava à mesa na casa do fariseu, levou um frasco de alabastro com perfume. 38 A mulher se colocou por trás, chorando aos pés de Jesus; com as lágrimas começou a banhar-lhe os pés. Em seguida, os enxugava com os cabelos, cobria-os de beijo, e os ungia com perfume. 39Vendo isso, o fariseu que havia convidado Jesus ficou pensando: 'se esse homem fosse realmente um profeta, saberia que tipo de mulher está tocando nele, porque ela é pecadora.' 40Jesus disse então ao fariseu: 'Simão, tenho uma coisa para dizer a você.' Simão respondeu: 'Fala, mestre.' 41'Certo credor tinha dois devedores. Um lhe devia quinhentas moedas de prata, e o outro lhe devia cinqüenta. 42Como não tivessem com o que pagar, o homem perdoou os dois. Qual deles o amará mais?' 43Simão respondeu: 'Acho que é aquele a quem ele perdoou mais.' Disse-lhe Jesus: 'Você julgou certo.' 44Então Jesus voltou-se para a mulher e disse a Simão: Está vendo esta mulher? Quando entrei em sua casa você não me ofereceu água para lavar os pés, ela, porém, banhou meus pés com lágrimas, e os enxugou com os cabelos. 45Você não me deu o beijo de saudação; ela porém, desde que entrei, não parou de beijar meus pés. 46Você não derramou óleo na minha cabeça, ela, porém, ungiu meus pés com perfume. 47Por essa razão, eu declaro a você: os muitos pecados que ela cometeu estão perdoados, porque ela demonstrou muito amor. aquele a quem foi perdoado pouco, demonstra pouco amor.'"
  Num primeiro momento Jesus é convida por um fariseu para hospedar-se em sua casa.
  Já o Versículo 37 menciona a mulher como uma pecadora – caracterizada como “meretriz” ou talvez mulher de um homem que exercia profissão desonrosa.
  Versículo 49 a mulher se apresenta em lágrimas – o que revela de sua parte uma gratidão que não tem limites, ação que é seguida do beijo aos pés e do gesto de enxuga-los com os cabelos (provavelmente estava despida de seu véu) – coisa que era desonroso para uma mulher (soltar os cabelos diante de um homem).
  A quem Jesus perdoou? A resposta é óbvia: àquela pessoa que demonstrou mais amor. – Maior gesto de gratidão. Perdão é sinônimo de amor. Deus perdoa os nossos pecados não porque sejam grandes ou pequenos, mas porque manifestamos que temos amor para com Ele, nossa confissão deve ser entendida como um gesto profundo de gratidão a Deus.
  “Grande culpa, pequena culpa” – estão relacionadas não com a intensidade da falta cometida, mas com a capacidade de se demonstrar amor. Somente quem se abre verdadeiramente ao amor de Deus é capaz de confessar suas grandes culpas, pois estas são proporcionais à capacidade de amar. – Somente aquele que tem consciência duma grande culpa é que pode entender o que significa bondade.
  “Você não entende Simão, que esta mulher, apesar da culpa de sua vida está mais perto de Deus do que você?” “Não percebe que você não tem o que ela tem?” A grande gratidão. “E que a gratidão que ela me demonstra é devida a Deus?” Desta forma Jesus nos convida a voltarmos o olhar sobre nós. A quem nos assemelhamos neste evangelho?
  Deus é tão bondoso, tão gracioso, tão cheio de misericórdia, tão superabundante no amor. O seu amor é ilimitado. É este amor ilimitado que justifica o seu acolhimento aos pecadores e a refeição que faz com eles. Recebia todas as pessoas que “levavam uma vida imoral” Pois Deus se alegra muito mais por um só pecador que se converte do que por noventa e nove justos que não precisam de conversão. Ele quer a salvação dos “perdidos” – porque estes lhe pertencem. Ele é misericordioso e compassível a tal ponto que a alegria de perdoar é a sua maior alegria.

               
Pe. Júlio César.

Nenhum comentário:

Postar um comentário