A FAMÍLIA
| Foto: Paulo Raimundo |
Apesar da Semana da Família já
ter ocorrido, insistimos em falar da família, por causa da sua importância.
“Família” é uma palavra derivada de “fâmulo” que quer dizer serviçal,
empregado, alguém que está para servir. É revelador que assim seja, já que
sabemos que dentre os sacramentos da Igreja, dois são considerados sacramentos
do serviço: o da ordem e o do matrimônio.
Estes dois Sacramentos,
classificados como do serviço, realmente realizam aquilo pelo que foram assim
classificados. Ninguém se casa para ser servido, mas para servir e ninguém é
ordenado para servir à própria família ou a si mesmo, mas para servir à Igreja.
Ordem e matrimônio são realmente os sacramentos do serviço.
No matrimônio, homem e mulher
servem um a outro, prestando-se mutuamente um serviço de amor, de companhia, de
complemento, já que somos incompletos. Este serviço é fecundo, mesmo quando
homem e mulher não geram filhos, o amor os regenera, isto é, os gera de novo,
pelo que tanto um quanto o outro passam
a ser novas pessoas. Contudo, acontece geralmente que homem e mulher,
unidos em matrimônio, geram filhos e o amor os obriga a servi-los para que se
desenvolvam e sejam capazes de viver independentes. Mas aí novamente se
encontra o serviço: Os pais servem aos filhos. Os irmãos e irmãs servem uns aos
outros e, quando os pais envelhecem, os filhos devem retribuir o serviço que
dos pais receberam cuidando deles até a
morte. Faz parte do “honrar pai e mãe”.
Por causa do afeto, dos laços de
amor que entrelaçam os membros da mesma
família, o serviço, prestado dentro da família é gratificante e, mesmo quando
pesado, é consolador.
Só os egoístas e os “ilhados” se
queixam dos trabalhos que têm com seus familiares. Os egoístas se queixam
geralmente dos familiares, porque não conhecem a lei do amor cristão que se
traduz na Palavra do Mestre: “ama o teu próximo como a ti mesmo”, isto é, se
você ama com cinco quilos de amor ( se
você pudesse pesar o amor! ), deveria amar o outro com cinco quilos de amor também. Os “ilhados”
também se queixam dos familiares e
chegam até a dizer “parente é serpente”
, porque se destacam do grupo, se sentem melhores que os outros e não
aprenderam a partilhar o que têm de bom com os outros para elevá-los e
promovê-los.
O Papa João Paulo II dizia que o
futuro da humanidade passa pela família. É preciso valorizar esta instituição, caso
contrário a frustração tomará conta de todos nós. Hoje, pelo que já estamos
vendo, podemos calcular o futuro do mundo com famílias desestruturadas. A auto
realização e a plenitude humanas, sem
uma família fortalecida, são ideais inatingíveis.
Comece em sua casa uma tomada de
consciência do valor da família e procure viver o serviço e terá a certeza de
estar realizando aquilo que Cristo Jesus também realizou: “Não vim para ser
servido, mas para servir”.
Pe. José Deusdará
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