A PÁSCOA
Como dissemos no artigo anterior, a Quaresma começou como
preparação para o batismo e acabou se tornando uma preparação para a Páscoa. A
Páscoa foi o primeiro tempo litúrgico e era a única festividade da Igreja
primitiva. Eram três dias de festa: a Quinta-Feira Santa, A Sexta-Feira Santa e
o sábado santo.
Na Quinta-Feira Santa, os cristãos celebravam e celebram a
instituição de dois sacramentos: Eucaristia e Ordem. A ordem é sacramento que
confere o sacerdócio, isto é, é por este sacramento que um homem se torna se
torna padre. Sem padre ou sem sacerdote, não há Eucaristia. Ora, a Eucaristia é
a fonte e o ápice de toda vida cristã. Por isso, se diz que a Eucaristia faz a
Igreja. Sem Eucaristia não haveria a igreja. Donde, se conclui que toda igreja
deve se preocupar com a diminuição da vocação de sacerdotes e deve também
procurar despertar e fomentar as vocações.
Na Sexta-Feira Santa,
celebramos o mistério da Paixão e morte do senhor Jesus, conscientes de
que, pela sua paixão e morte, Ele realizou a nossa salvação. Há uma oração da
Igreja que diz que Deus nos criou maravilhosamente, porém se superou em
maravilhas quando realizou na total ausência de poder: ferido, humilhado, morto
e crucificado. É a partir do sofrimento, da humilhação e da morte que Ele
ressuscita.
No Sábado santo, comemoramos a ressurreição, a vitória sobre a
morte. Aí, o Senhor nos impede de nos sentirmos derrotados. Ensina-nos que o
caminho da vitória, do sucesso e da vida eterna passa pela cruz. O sofrimento
vivido com em união com a paixão e morte do Senhor se transforma num trampolim
para vida e vida em abundância. Por isso, o próprio Senhor nos disse: “Quem
quiser ser meu discípulo tome a sua cruz cada dia e me siga”.
O ideal é que cada cristão participe piedosamente, cada ano, do
tríduo pascal, mas se não for possível participar “das festas que se
aproximam”, pelo menos cumpra o mínimo estabelecido pela lei: “Confessar-se ao menos uma vez ao ano e
comungar pela Páscoa da Ressurreição”. Ao fazer assim, o fiel cristão estará
renovando a aliança com Deus, isto é, estará renovando seus votos de
Fidelidade a Deus que não duvidou de nos
chamar para sermos seus parceiros. Após a comunhão pascal, diga ao Senhor que vai estar mais do que perto de você, porque
exatamente dentro de seu coração: sou
teu aliado, Senhor. Quem estiver contra ti, estará contra mim e quem estiver a
teu favor, contará com o meu favor também. “Sei que és fiel e não costumas
trair, por isso sei que Tu és também o meu aliado”.
Essa aliança, no entanto, não se estabelece apenas num momento
solene, mas terá de ser vivida no dia a dia, todo dia, e para sempre. Por isso
é que nós celebraremos a Páscoa enquanto o mundo for mundo, por que javé, nosso
Deus , ordenou que a celebrássemos com “um rito permanente, de geração em geração”.
Pe. José Deusdará
Pároco

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