Palavra secularismo vem de
século. Em latim quer dizer aquilo que se refere ao mundo. Paganismo é voltar
exageradamente a vida apenas para material. Ao lado do secularismo, o
consumismo desenfreado e compra simplesmente pelo prazer de comprar, sem
necessidade nenhuma apenas para uma satisfação do ego porque esqueceu a
dimensão qualitativa de fraternidade, de solidariedade, partilha do que se tem.
Mas ao lado de todas essas crises, existe outro que é a nova forma de se viver
a religião como nos fenômenos religiosos.
Uma religião intimista muito
pessoal vive a religião do individual. Vive a religião de maneira individual,
muito pessoal; o que é bom para mim, o Deus para mim, a fé para mim, tudo
concentrado apenas no ego, apenas viver uma fé ensimesmada, incapaz de se abrir
ao outro, entregar-se, dar-se. As palavras vão perdendo o peso da nossa
consciência e a Igreja, ela tem consciência da gravidade desse drama espiritual
pelo qual passa a nossa sociedade. Por exemplo: Dom José Freire Falcão o
Cardeal Arcebispo na sua palavra ele disse o seguinte: O drama espiritual do nosso
tempo, é a perda do sentido do pecado. O que significa isso? Significa que
parece que hoje tudo é permitido, tudo é possível. O limite já não se existe
mais. Já não existe mais a mentalidade do limite de até onde eu posso ir ou se
acha todo poderoso.
Quando não se tem consciência de ser pecador
também, não existe mais necessidade do perdão de Deus. E quando não se tem
consciência do pecado, quando a pessoa não se sente mais pecadora, também não
procura mais a Igreja, não procura mais a confissão. O que confessar? Tem muita
gente que diz: Sim, confessar pra que mesmo? O que isso aí vai mudar em alguma
coisa? A perda dos valores sagrados e, consequentemente quando não se tem
consciência do pecado, também não existe mais dentro do coração da pessoa
humana o desejo de mudar de vida, de uma mudança de conversão, de uma mudança
profunda. Quando na sociedade tudo é lícito, então o critério do bem já não são
mais valores éticos, mais o bem é aquilo que é bom para cada um. Bem vai de
acordo com o interesse pessoal. Ah! Isso é bom para mim, então continuo.
Cada um procura o bem para si e, portanto,
aumenta cada vez mais o egoísmo do individualismo e porque individualismo é
também secularismo, é também consumismo. É impressionante como hoje cresce cada
vez mais o número de pessoas que se dizem depressiva. A tendência
exageradamente para o individualismo. Não se alimente mais o desejo das
virtudes ou até mesmo de procurar santidade de vida. Santidade se torna algo
fora de contexto, fora de moda. Mas tudo isso se dá quando nós perdemos o
referencial de Deus. Tudo se perde quando nós perdemos a consciência de que o
absoluto é somente Deus. Transformamos a virtude num sucesso individualista.
Ah! Fulano é indivíduo virtuoso e não que bem sucedido. Ser bem sucedido na vida
é quem passou a ser sinônimo de virtude. Não se fala mais de virtude com
sacrifício da própria dignidade, da própria vida. Não se fala mais de virtude
que é colocar-se a serviço dos outros, fazer bem aos outros. A prática da
caridade numa sociedade marcadamente indiferente em relação as coisas sagradas,
quem é honesto é fraco; o fulano é fraco por que é honesto demais, é fraco.
Honestidade passou a ser um
vício, sinônimo de fraqueza, incapacidade de crescer. Quem é honesto, não
cresce. É o que dizem por aí. Fulano não cresce porque é honesto demais.
Quantas vezes nós escutamos isso. Eu tenho certeza que vocês já escutaram estas
palavras que eu estou dizendo. Infelizmente numa sociedade em que uns querem
subir pisando nos outros. É triste para um pai ter como chavão um jeitinho
brasileiro colocando todos os brasileiros no patamar da desonestidade, da
corrupção, como se não existisse mais consciências retas, dignas na nossa
sociedade.
Quantas políticas sociais
vergonhosas nós estamos percebemos na nossa sociedade. Quantas políticas que se
utilizam de métodos vergonhosos para crescer. O importante é crescer acima de um
partido; não é mais na sociedade, é acima do partido. É aí onde entra o papel
fundamental da família para lutar contra todas estas situações de injustiça e
de miséria. É de desonestidade que nós estamos ouvindo todos os dias e os
católicos ficando simplesmente olhando, calado, achando que alguém tem de fazer
alguma coisa quando, na realidade, somos nós que nos dizemos Católicos Cristãos
que devemos assumir o papel transformador da nossa realidade social, porque o
homem e a mulher receberam de Deus a missão de construir uma família. E, se a
nossa sociedade vai mal, é porque é a nossa família que está precisando de
ajuda. Família é dom de Deus, é dom de deus para filhos, para a sociedade. Não
existe ninguém desonesto na sociedade que não tenha aprendido dentro da casa do
pai e da mãe, infelizmente. Pai e mãe é que transmite valor moral. É quem tem
essa capacidade de transmitir valor moral, de dialogar constantemente; não pode
fugir a essa missão: Vem cá menino. Vamos conversar. O que está acontecendo
contigo? Sente bem aqui. Vamos falar. Vamos conversar. Pai e mãe não pode fugir
a essa missão. É tarefa, é compromisso.
A família precisa ser constantemente
construída. Não é falar só uma vez não: é todo dia. Tem que ser regado com
palavras de entusiasmo, de encorajamento, de afeto, com palavras justas de
honestidade, de solidariedade, de paz, de fraternidade. Valores que precisam
ser passados dentro da nossa casa. Precisamos resgatar a família, defendê-la e
promovê-la, sobretudo diante de tantas ideologia que procuram até mesmo desconfigurar e apresentar para a sociedade,
um novo modelo de vida familiar já não mais constituído de pai e de mãe e de
filhos, onde esses nomes de pai e mãe não, isso não importa não, apenas
orientadores, gestores da pessoa; e aí vai perdendo o valor, a dignidade que
tem uma mãe dentro da casa, aquele valor psicológico que tem uma mãe capacidade
de transformar a família. A mãe tem um papel muito importante, decisivo na
construção da personalidade dos filhos. A família é tão importante que Cristo
quis nascer de uma família. Se a família não fosse importante, Deus teria vindo
ao mundo de outra forma. Mas Ele preferiu vir ao mundo através de uma mãe
tendo, ao seu lado um pai adotivo e por isso a Igreja não pode deixar de
valorizar e trabalhar com famílias. Tantos movimentos que a Igreja faz em busca
de ajudar as famílias, não é outra coisa para que cada um de nós nos
convencesse da dignidade, da grandeza; da dignidade que cada um carrega porque
é criatura de Deus, filho e filha de Deus. Quando a Igreja se reuniu na América
latina com os bispos, em 1968, em Medelín na Colômbia, ela disse o seguinte: A
família tem uma tríplice missão: 1ª. Que forma a pessoa humana. A família
existe para formar a pessoa, ajudar a pessoa a ser pessoa, a ser humano. A 2ª.
Missão da família é de ser educadora da fé. Pais que mandam os filhos para a
catequese, mas não os acompanham, que trazem para o batismo e ali se encerram
mesmo. Se o filho quiser ser crismado, isso é problema dele não entro nesse
assunto. Vai para religião que ele quiser, a orientação religiosa com quem ele
quiser e assim eu como pai e mãe vou me fugindo, vou saindo daquele meu papel
do compromisso e da responsabilidade que eu tenho que ser de educador da fé do
filho e da filha que coloquei no mundo. A 3ª.
Missão é ser promotora do desenvolvimento porque se existem justiças
sociais, não é por outra coisa: Nós esquecemos que somos cristãos, nos
esquecemos de que somos batizados e somos filhos de Deus pertencentes à mesma
família de Deus, que somos irmãos e irmãs uns dos outros, que não podemos ser
indiferentes o sofrimento dos nossos irmãos. É por isso que o lar cristão é o
lugar onde os filhos recebem o primeiro anúncio da fé. Não é na Igreja não. É
dentro da casa, do lar.
O lar é chamado Igreja Doméstica.
Nós saímos de nossas casas para virmos ao Templo e dizendo: Vou a Igreja. Não é
a Igreja porque a Igreja é dentro da nossa casa. É ali onde está a Igreja, onde
cada um de nós se encontra. Aqui é a reunião da assembleia para louvar a Deus,
para glorificar, para pedi, para suplicar pelos outros. Igreja Doméstica é lugar
de graça, é lugar de oração. É escola de virtude. É na família que a pessoa
aprende a ser virtuosa ou também pode aprender os vícios. É no seio da família
que os pais são para os filhos pela Palavra e pelo exemplo, os educadores da
fé. Se o pai coloca o filho, a filha na escola, obviamente é para que tenha
instrução. Ninguém substitui pai e mãe, não. Quando as famílias se desacertam o
prejuízo moral e social é muito grande. A gente até tenta consertar, mas o pai
e a mãe são insubstituíveis na formação das virtudes. Portanto, o lar é aquele
ambiente para a solidariedade, para a vida comunitária. É ali onde os filhos
vão aprendendo o significado de ajudar uns aos outros, ser solidários. Ninguém
pode querer que a solidariedade mude, se não mudarmos dentro da própria casa.
Portanto, meus irmãos e minhas irmãs, que nesse dia das mães nessa santa Missa
dedicada às famílias, nós possamos compreender que não haverá mundo melhor, se
não começarmos dentro de nossa casa.
Louvado seja Nosso Senhor Jesus
Cristo.