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| Foto: Paulo Raimundo - Pascom |
O
tempo, enquanto dimensão convencional é medida pelo homem em anos, meses e
horas. O tempo em si não possui nenhum sentido peculiar e também não possui uma densidade teológica.
No entanto, ele é sempre apropriado ao homem que o torna carregado de
significado para a existência humana, por exemplo, a data do aniversário ou outras
datas tornadas significativas para a sua existência.
O
tempo torna-se um mistério, isto é, possibilidades de graças. É justamente o
que faz a Igreja com o ciclo litúrgico anula. Cada festa litúrgica, bem como
cada ano novo litúrgico traz consigo uma novidade de dispensação de graças da
parte de Deus. Enriquecemos o tempo com as celebrações dos mistérios de Jesus,
fazemos do tempo um encontro com Deus e observamos ao longo do ano a ação salvífica
realizada na história. Desta forma o tempo litúrgico transforma e dá
sentido ao tempo convencional.
Tempo,
etimologicamente tem tem raiz grega. Era explicado pela mitologia na qual existia um deus que devorava seus
filhos logo que nasciam. Os que
nasciam estavam submetidos à fúria de Cronos. Enquanto civilmente comemoramos
fatos passados ( que aconteceram uma vez e não acontecem mais), no ano litúrgico além da comemoração,
vivemos na atualidade, no dia-a-dia de nossas vidas. A memória do fato se torna
atual na vida do crente.
Todo
o tempo litúrgico é tempo de salvação. O advento convida a contemplarmos o
sentido cristão da história. Insere-nos no mistério da obra salvífica de Cristo
e, ao mesmo tempo, faz-nos contemplar a importância do empenho ético do cristão
no mundo. Nós cristão precisamos cada vez mais compreender o momento histórico
que estamos vivendo. Essa compreensão nos porta verso o futuro e torna-nos
responsáveis por ele. Essa
responsabilidade tem como base a fé que nos impulsiona afirmar a possibilidade
de criar um mundo novo, uma sociedade mais justa, pacífica, na qual os homens
transformarão os instrumentos de guerra em mecanismos de paz.
Nós
cristãos somos convidados a compreender que fomos colocados num monte muito
acima de todos os outros montes. Como disse Jesus: “Vós sois s luz do mundo,
não pode permanecer escondida uma cidade construída sobre um monte” (Mateus
5,14). Nós Igreja somos a luz dos povos, o sinal e o instrumento de salvação
para toda a humanidade e por isso tempos uma terrível responsabilidade em
relação ao futuro da humanidade.
O
tempo do advento que agora celebramos, exorte-nos a uma atitude de vigilância.
Cristo virá! Improvisamente nos surpreenderá no pleno exercício de nossas
atividades e ai de nós se não estivermos preparados (Mateus 24, 40-41). A
vigilância não é somente estar atentos. Significa colocar em prática a Palavra
de Deus. Vigilância é atitude prática de caridade movida por um sentimento de
afetividade. Vigiar é operar o bem e
fazer bem cada momento de nossa vida. É libertar-nos do medo da morte, é tranquilizar a alma, é
fidelidade ao evangelho.
O
advento nos garante: “O Senhor virá”! Não caminhemos por uma estrada tortuosa e
esburacada, nem tomemos um caminho que não conduz a lugar nenhum. Não entremos
em becos sem saídas para cairmos nas
armadilhas e emboscadas do pecado. Lancemos fora as obras das trevas, vistamos
a roupa da justiça que é o próprio Jesus.
Pe.
Júlio César Souza de Jesus
Pastoral da Comunicação - Pascom
Uma Pastoral Missionária a Serviço da Evangelização


