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| Pe. Júlio César |
Ó morte, onde está a sua vitória?
(1 Cor 15, 55)
Ao
refletimos sobre a relação que existe entre tempo e eternidade encontramos em
Cristo a resposta definitiva para o
enigma da morte. Ao interno da vida humana a morte é sempre uma aporia de
dimensão notável, extremo limite e clareza do mistério. O morrer aparece ao
homem como a mais familiar e óbvia realidade e, ao mesmo tempo, a menos
impensável.
O
morrer humano exalta o enigma de sua existência. O homem, abandonado às suas
próprias forças, não encontra em si a origem do seu fundamento, mas apenas a
certeza que a morte expressa de modo claro e definitivo a sua finitude,
impedindo um equilíbrio entre absoluto e existência relativa1 , de
forma que ao viver o homem está à procurar um significado para a morte.
Hans
Urs Von Balthasar ao refletir sobre a morte em sua obra Teodramática, disse
certa vez que “Morrer é parte iniludível do ponto de vista biológico, mas
manifesta o destino inexorável e pleno do sentido da existência humana”.
O
momento conclusivo do tempo tem em si esse duplo caráter: De um lado é a coisa
mais humilhante para o homem, uma vez que abate e torna putrefato o corpo
humano, mas por outro lado é a realidade mais nobre e mais preciosa quando
assumida com empenho, visto que é o momento conclusivo da existência2
.
A
morte pode parecer inimiga da vida, mas está relacionada com o amor3
. O Amor pode chegar a uma força tal que o faça rival da morte. No entanto,
devemos pensar que um mundo abandonado pelo amor está mergulhado ao poder da
morte, mas onde o amor perdura a morte é definitivamente vencida4 .
Ora, sendo Jesus a plenitude do amor, então não pode existir resposta mais
positiva para a compreensão do significado da morte que não seja vivendo a
partir de Cristo. Vencendo a morte, Cristo garantiu para nós a vida e abriu-nos
as portas do céu.
BIBLIOGRAFIA
1 Cf.: Marini. V, Maria e il mestero
di Cristo nella teologia de hans Urs von Balthasar, Pontifícia Academia Mariana
Internationalis,, Cittá del Vaticano 2005. Pág 369
2 Cf.: Hans Urs Von Balthasar,
Teodramática, Vol I: Introduzione al
Drama / Traduzione di Guido Sommavilla. Jaca Book, Milano 1978 pág. 360-361
3 Cf.: Cânticos dos Cânticos 8,6: “O Amor é forte, é como
a morte. É chama de fogo, uma
faísca de Javé”.
4 Cf.: Hans Urs Von Balthasar, Teodramática, Vol.
I: Introduzine al Drama / Traduzionedi Guido Sommavilla. Jaca Book, Milano 1978
pág. 378.
Padre Júlio César
Pastoral da Comunicação - Pascom
Uma Pastoral Missionária a Serviço da Evangelização